Ácido teicurónico

Ácido teicurónico

Ácido teicurônico (TUA) é um polissacarídeo capsular aniônico sintetizado por certas bactérias Gram-positivas, incluindo Micrococcus luteus e Bacillus subtilis, sob condições de limitação de fosfato. Ele substitui os ácidos teicoicos na parede celular bacteriana, mantendo assim a integridade estrutural e a homeostase iônica.

Estrutura molecular

O ácido teicurônico consiste em cadeias lineares de unidades dissacarídicas repetitivas [→4)-β-D-ManNAcAp-(1→6)-α-D-Glcp-(1→]n, onde n geralmente está entre 20 e 50, correspondendo a um peso molecular médio de aproximadamente 10–50 kDa. ManNAcAp denota ácido N-acetil-β-D-manosaminurônico fosforilado na posição C4, enquanto Glcp corresponde a α-D-glicose. Variações estruturais menores incluem a presença de N-acetilglicosamina no terminal redutor. O forte caráter polianiónico do TUA resulta da presença combinada de grupos carboxilato dos resíduos ManNAcA e grupos fosfato, permitindo a eficiente quelação de cátions divalentes como Mg²⁺ e Ca²⁺ e a ligação covalente ao peptidoglicano via ligações fosfodiéster a resíduos de ácido murâmico.

Biossíntese

A biossíntese do ácido teicurônico é catalisada por um complexo multienzimático associado à membrana conhecido como teicurônico ácido sintetase (TUAS), com massa molecular estimada de aproximadamente 440 kDa e composto por subunidades octaméricas de 52,5 e 54 kDa. O processo enzimático envolve reações iterativas de transferência de glicosil usando UDP-GlcNAc como iniciador, seguido por UDP-glicose e UDP-ManNAcA como substratos doadores, na presença de íons Mg²⁺ e tampão HEPES. A polimerização de novo inicia-se com GlcNAc na extremidade redutora, enquanto o alongamento da cadeia prossegue em moléculas acepadoras da parede celular. Sob privação de fosfato, vias regulatórias induzem a expressão de TUAS e suprimem a biossíntese de ácido teicoico, resultando na incorporação preferencial do ácido teicurônico na envoltória celular.

Propriedades

O ácido teicurônico forma polímeros rígidos e solúveis em água que exibem resistência à degradação mediada por lisozima. Sua alta densidade de cargas negativas promove repulsão eletrostática entre células adjacentes, facilitando uma eficiente separação celular durante a divisão bacteriana. O polímero demonstra notável estabilidade térmica e pode ser hidrolisado seletivamente usando ácido trifluoroacético ou glicosidases específicas. A composição estrutural e a pureza são comumente confirmadas por cromatografia gasosa-espectrometria de massas, mostrando uma relação glicose:ManNAcA de aproximadamente 1:1, bem como por eletroforese em gel de poliacrilamida com coloração com azul de Alcian para polissacarídeos polianiónicos.

 

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