A Lanolina, também conhecida como cera de lã ou graxa de lã, é uma cera natural extraída das secreções sebáceas da lã de ovelha. É classificada como um lípido simples distinto dos glicéridos. Esta mistura emoliente complexa (~25-30% de água combinada) destaca-se na hidratação oclusiva, imitando de perto a composição do sebo humano para aplicações dermatológicas.
Composição Química
A lanolina compreende aproximadamente 97% de ésteres e poliésteres de elevado peso molecular de esteróis e álcoois triterpénicos (35-44%) combinados com ácidos gordos (C7-C41, principalmente palmítico C16:0, esteárico C18:0, C20-C32), juntamente com 11% de componentes livres que incluem álcoois alifáticos (25%), esteróis/colesterol (dois terços dos álcoois), ácidos livres e hidrocarbonetos. Mais de 8.000–20.000 variantes de ésteres surgem de cerca de 200 ácidos e 100 álcoois (por exemplo, colesterol, lanosterol), resultando num peso molecular médio de ~508,9 g/mol (representativo de C34H68O2).
Propriedades Físicas
A lanolina apresenta-se como um sólido untuoso, de cor amarelo-âmbar (intervalo de fusão 36–42°C, densidade ~0,94 g/cm³), insolúvel em água, mas dispersível numa proporção de 2:1 com a água. Amacia aos 38–40°C com elevada plasticidade devido aos confórmeros gauche CH₂. A solubilidade é elevada em clorofórmio e éter, e escassa em álcool. O XLogP3 de 16,3 e a TPSA de 26,3 Ų indicam uma lipofilia extrema sem dadores de ligações de hidrogénio.
Biossíntese e Processamento
A lanolina é segregada pelas glândulas sebáceas das ovelhas como uma camada repelente de água. A extração comercial envolve a lavagem da lã em bruto seguida de separação centrífuga, refinação (branqueamento e desodorização) e produção de lanolina anidra (até 99,8% de lípidos). Os processos de hidroxilação podem originar glicóis solúveis em água para aplicações específicas.

